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Rosa Negra - Fado Ladino




No meio da febre recente pelo novo fado, muita coisa fica de fora. Este disco foi editado cedo demais na minha opinião, ninguém lhe ligou nenhuma. Passados cinco anos, só se ouve fado nas rádios e nas televisões, parece que Portugal de repente acordou novamente para ele. mas como sempre nestes histerismos colectivos, muita coisa é atropelada, e esta canção mereceria muito mais do que o desconhecimento generalizado. Sim... Esta música tem algo de ilegal, muito de ilegal até. É um plágio descarado duma canção turca (salvo erro, já não me lembro bem de quem é o original, e também não fui procurar), mas para o que nos interessa, isso acaba por ser irrelevante. O que fica é uma melodia fenomenal, arranjos de um bom gosto tremendo, de uma beleza serpenteante, uma dança sonora de uma sensualidade quente, etérea... No fundo, aquilo que o fado tem de melhor, mas actualizado. Não por o "velho fado" ser obsoleto, a música quando é boa nunca é obsoleta, mas pegando em todas as ferramentas à disposição e criar algo superior. Ok... Não foi criar, foi copiar, roubar. Mas até ai é um fado perfeito, porque o fado também não é mais que uma reinvenção de musica oriental, árabe. E estes Rosa Negra fizeram um excelente trabalho nisso.

No meio de toda a nova vaga de fado, com ou sem plágio, esta é a mais bela reaproximação ao fado no séc. XXI.

Iced Earth - Dracula




No sempre constante desfilar de novas músicas que saem no mercado, por vezes sabe bem voltar atrás no tempo. A primeira vez que ouvi esta música, tinha menos dez anos em cima, a vida era outra. Mas a sensação que tive ao ouvir esta música, essa, mantém-se imútavel.

Esta música pode analisar-se em 4 partes. A música na introdução e a sua letra. E a segunda parte da música e a sua letra.

Na introdução é uma balada, e que bela balada. Um lick delicado na guitarra, uma voz quente e sussurrada, melódica. Uma beleza pop, no mais puro sentido da palavra. A letra... A letra é um belo poema de perda de amor. Ideal para qualquer pessoa com mal de amores.

"Do you believe in love?
Do you believe in destiny?
True love may come only once in a thousand lifetimes...
I too have loved...they took her from me,
I prayed for her soul....I prayed for her peace

When I close my eyes
I see her face, it comforts me
When I close my eyes
Memories cut like a knife"


Na segunda parte, uma música tipicamente heavy metal com um ritmo acelerado, riffs cortantes, solos melódicos, voz poderosa. E a letra enfim desvenda-se. É uma música sobre o mito de Drácula. pois esta música pertence a um disco temático, sobre personagens de ficção de horror.

E no meio? Bem... No meio é a explosão mais explosiva que se pode imaginar! Relembrem ou descubram!!!!

Diabolical Masquerade - Ravenclaw




Num estilo que procura ser o mais estremo possível, por vezes são editadas musicas com um sentido quase pop que são uma agradável surpresa. Servem apenas para nos mostrar que o black metal não é um estilo apenas de violência, extremismo e intensidade quase insuportável. É também um estilo de beleza, uma beleza quase pura, primordial. E esta "Ravenclaw" é um excelente exemplo disso. Bebendo bastante de Bathory, pega na tradição musical nórdica, e junta-lhe a intensidade do melhor metal extremo. Com uma melodia serpenteante, que cresce em intensidade, que rasga os nossos sentidos com uma simplicidade desconcertante. A música, seja ela de que estilo for, deveria ser assim. Bela e cativante.

Scott Amendola Band - Masters Of War (Bob Dylan cover)

Existem dezenas, talvez centenas, de grandes músicas que falam da guerra. No período áureo da música popular no séc. XX a guerra do Vietname estava no auge, e como tal toda a gente tinha algo a dizer. Mas no meio de todas essas músicas, no meio de tanto que se escreveu e cantou, entre tanta gente que em tantos momentos alguma vez quis dizer algo sobre a guerra, há uma canção que se destaca. Uma canção simples, com uma letra simples, que consegue atingir a verdade do que é a guerra. Não tivesse sido ela escrita pelo Profeta, um miúdo, que armado de uma guitarra e uma ingenuidade surpreendente, cantou a melhor música sobre a guerra que alguma vez alguém escreveu. Porque nessa singela letra estava toda a verdade do que é e para que servem as guerras. Falo claro está de Bob Dylan, e a sua fantástica e genial "Masters Of War". Se algo há a dizer da sua genialidade, basta propor-vos um desafio, ouvirem a musica, e prestarem atenção na letra. Incrivelmente actual, apesar de ter sido escrita há quase 50 anos. mas como disse, Dylan nessa música conseguiu atingir o cerne, o coração do que é a guerra.

Existem um sem número de versões dessa música. geralmente bastante fiéis ao original, apenas melhor interpretadas, como é apanágio de quem faz versões de Dylan. Mas a versão que vos trago, foge bastante do original. Antes desfaz a música e transforma o que é uma simples música folk, numa viagem hipnótica em tons de free-jazz. Uma bateria sincopada, que marca todo o ambiente da canção, uma voz feminina que deambula quase hesitantemente no inicio, e uma guitarra que entra sorrateira para encorpar a canção. Depois disso, a música cresce e cresce até ao delírio final, acompanhando a intensidade da letra, que cresce até à apoteose final.

Fazer versões de Dylan é um exercício que praticamente todos os nomes grandes da história da música fizeram. Falamos claro, daquele que é provavelmente o melhor compositor de sempre da música rock. Mas geralmente os artistas cingem-se á música, que por mais bela que seja acaba sempre por ser apenas o leito onde a letra se deita. Nesta versão, a Scott Amendola Band, pegou naquilo que é mais forte em Dylan, a letra, e fez a sua versão a partir dela. O resultado é avassalador.


My Dying Bride - For My Fallen Angel

Chover no molhado… não sei quantas vezes já eu falei desta música, nem sei quantas vezes até já escrevi desta música. Mas sei que esta é das melhores músicas jamais escritas por um ser humano. De tanto CD que gravo com músicas soltas, é certo e sabido, esta está na maioria dos CDs. No mp3 nunca de lá sai. Já ouvi esta música milhares e milhares de vezes, e de cada vez que a ouço, a minha espinha arrepiasse, os meus olhos cerram-se, o meu espírito enche-se, transborda de um sentimento estranho.
Não é apenas a sua beleza, nem é apenas a sua intensidade. Não, não é apenas isso. É algo mais, algo mais que esta música possui, que nos entra na alma, nos dilacera, mexe e remexe no mais íntimo dos nossos sentidos. Duma forma tão simples, tão pura, tão etérea, esta música toca num qualquer sentido obscuro, e deixa-nos a nu, despidos de todo o exterior, esmagados na mais pura essência que dela emana.
Um teclado, um violino, uma voz, e uma letra… Assim se faz uma das mais belas experiências que o ser humano pode sentir. Sentimento na sua mais pura forma. Beleza no seu expoente máximo…


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Jeff Buckley - Hallelujah

Antes de Leonard Cohen ter tido a sua voz “destruída” pelos inúmeros cigarros fumados, tinha uma voz suave e cândida. Mas quando compôs esta canção, já a sua voz tinha a densidade dos anos.
Anos depois, inúmeras interpretações depois, um jovem de voz cândida, suave e angelical interpretou essa canção e conseguiu diferenciar-se de todas as outras interpretações.
Reduzindo a canção quase ao mais básico, fez-se acompanhar de uma guitarra eléctrica deambulando por paisagens etéreas e colocou todo o ênfase na voz. Naquela voz pura, angelical, sussurrante, que agride de tão frágil e poderosa que é.
O que ficou foi uma interpretação memorável, porque a voz frágil e poderosa de Jeff Buckley é o veículo perfeito para as emoções encerradas nesta composição. Um misto de fragilidade e poder. Um fascínio hipnotizante por algo que queremos ser mais forte que nós, uma entrega incondicional, o sentir-se humilde e frágil e ao mesmo tempo protegido e forte. O render-se a uma esperança de salvação, com a consciência que podemos ser destruídos. Não, “Love is not a victory march”. Todos sabemos isso, todos sabemos que “It's a cold and it's a broken Hallelujah”, mas poucas vezes quanto nesta canção esta certeza é tão violentamente cravada na nossa alma.


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Celtic Frost - A Dying God Coming Into Human Flesh

Existem poucas bandas com o culto dos Celtic Frost. Também existem poucas bandas com a sua influencia, importância e qualidade. Oriundos do mais improvável dos países europeus (Suíça), nos anos '80, a sua forma de estar na Música revolucionou por completo o underground europeu, e formaram juntamente com os Bathory e os Venom as bases daquilo que mais tarde se veio a denominar black-metal, muito embora, o seu líder Tom G. Warrior já tenha confessado que detesta black-metal, a sua busca nunca foi uma qualquer ideia de extremismo sonoro, visual ou lírico, mas sim expandir a Arte musical além dos limites em que estava estrangulada, e para si o termo extremo tinha mais a ver com "alem do normal" que propriamente "fora do normal". Pormenores...

A dada altura os Celtic Frost separaram-se, e em 2006, aquando do seu regresso (antes de se separarem novamente o ano passado), o album "Monotheist" foi recebido com a curiosidade devida a quase duas décadas de ausência, duas décadas em que o seu culto cresceu na proporção em que as suas sementes lançadas também cresceram, ou seja, depois do nascimento, maturação e dispersão do black-metal. Na altura talvez ideal, no momento em que o black-metal já estava a se reencontrar com a filosofia original dos seus criadores, mais centrado na expansão de ideias que propriamente em se centrar na mesma ideia de extremismo que já estava a ficar saturada (ou não).

Faixa 3 do disco, A Dying God Coming Into Human Flesh. O seu início é fantasmagórico, calmo, assustador, uma voz que canta quase que murmurando numa cadencia que cresce, não duma forma audível, mas sente-se um crescendo, uma tensão, como uma ameaça prestes a explodir, mas uma ameaça inatingível, como que fora deste mundo, ou como diz a letra, um frio... Um frio que toma conta de tudo, um frio que se torna tudo... "And all is cold. And cold is all."...
E de repente... um acorde explode! E nessa altura já estamos embrenhados na música, no lick de guitarra que nos embala, no peso da guitarra que nos prende, no peso que nos esmaga, na voz que nos dilacera enquanto nos encanta... e quando a bateria começa a voar já perto do fim, e a voz nos repete "I am a dying God, coming into human flesh" não podemos deixar de pensar que esta talvez seja uma viagem assimétrica da jornada de Dante. Aqui não começamos no Inferno para chegar ao Paraíso, aqui começasse no Paraíso e caímos que nem anjos perdidos no fundo do Inferno. Pelo menos durante 5m39s...

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Kristin Hersh - Your Ghost

É comum encarar-se uma canção enquanto uma coisa "morta". Depois dela ser gravada, editada, geralmente é assim que ela fica para a posteridade. mas as canções são entidades vivas, que se vão mudando, alterando, construindo ao longo do tempo. Será que sempre bem? Há canções que ao fim de alguns anos a serem tocadas ao vivo são coisas completamente diferentes, mas por vezes nem demora muito tempo a mudarem, e pior, há canções que vivem tanto de um momento, um singelo momento irresistível de quando foram gravadas, que por vezes é complicado repetir a sua magia.
A música de que hoje quero falar não está em nenhum disco, a versão final é um dueto entre Kristin Hersh e Michael Stipe dos REM, a versão de que quero falar é a versão da demo, a versão gravada antes do disco.

É óbvio que o esqueleto é o mesmo, a música é a mesma. mas nesta versão, despida ao mais puro da sua essência musical, a música tem um encanto que na versão final não tem. A música está o mais simples possível, respira, consegue assim, despojada de artifícios (ou pelo menos, com o mínimo possível) atingir o âmago daquilo que pretende. Uma música de uma beleza simples, que consegue dizer tudo o que quer... E principalmente, consegue fazer-nos sentir a música!

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Current 93 - Sunset (The Death of Thumbelina)

já aqui falei de Current 93, mas não podia deixar de falar aqui também desta música, numa abordagem completamente diferente da anterior música que falei.

As premissas continuam as mesmas, simplicidade, voz e letras. mas em vez do ritmo quase industrial cheio de distorção, nesta música a ambiência é feita com uma guitarra acústica, dedilhada, repetindo ad eternum o mesmo riff, na melhor forma folk. O pormenor que aqui mais dá nas vistas, é um violino que se expressa, no final de cada frase, oferecendo ao todo uma aura elegante, misteriosa, quase mágica.
Uma música de uma beleza muito especial, ideal para ouvir nestes dias cinzentos, com o vento e a chuva a beijarem a janela.

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Current 93 - Black Ships Ate The Sky

A simplicidade é complicada. Mais até que fazer uma música cheia de acordes, com muitas notas, muitos ritmos complicados. Fazer uma música simples, directa, e principalmente, boa, é muito complicado.
David Tibet, um músico obscuro, prima por composições simples, baseadas principalmente na beleza intrínseca de certas harmonias, de certas melodias. E embora pessoalmente não conheça muita coisa do seu vasto reportório, o pouco que conheço é simplesmente divinal. E no meio desse pouco que conheço, há uma música que prima pela diferença. Simples, muito simples, um baixo e duas guitarras. sempre a mesma nota, sempre o mesmo acorde, sempre o mesmo ritmo, atacado sempre no tempo certo. Uma das guitarras deriva por paisagens sujas ao melhor estilo de rock alternativo e sujo, mas isso é irrelevante. A música é sempre aquele ritmo industrial, e a letra, a voz, numa pungente e pujante interpretação. Intenso, poderoso, hipnótico. Capaz de nos esmagar... Brilhante!!!

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Strapping Young Lad - Bring On The Young

Silêncio... Condição essencial para existir música. A música não passa duma dança entre o silêncio e o som, nas suas diferentes alturas e intensidades.
E é assim que começa esta música, silenciosamente, hesitantemente, uma guitarra tímida, arriscando umas notas, um baixo que entra aqui e ali e se deixa ficar, ecoando, prolongando o seu poder até ao limite do silêncio... E depois...
depois entra a voz, cantando, uma ténue melodia vocal, uma promessa, um murmúrio...
A dada altura entra a bateria, o som enche-se, há mais intensidade, a voz crispa-se, sem nunca perder a melodia, há aqui promessas de uma grande música... Uma guitarra distorcida, impõe um ritmo mais demolidor fugazmente... Sim.... A música promete... Há coros, há poder, há melodia, e há sempre a promessa de explosão, uma explosão hesitante....
E essa explosão acontece, mas nunca se deixa ficar, são momentos fugazes, entre-cortados por silêncios, uma viagem sufocante entre o silêncio e poder destrutivo do death metal...

A música versa sobre a guerra do Iraque, e que melhor banda sonora que esta? O medo, o silêncio, a tensão, com momentos fugazes de explosão, intensidade, violência...

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ìon - Beyond The Morning

Duncan Patterson é um dos melhores compositores de SEMPRE! A afirmação pode parecer exacerbada, mas conhecendo, mesmo superficialmente, a carreira deste irlandês, a afirmação só pode ser atestada sem margens para dúvidas.
Começando a sua carreira nos Anathema enquanto baixista, foi aí que Duncan começou a se aventurar na composição, e os seus primeiros passos foram mais do que promissores, e ao fim de poucos discos, já tinha em seu nome alguns clássicos, algumas músicas simplesmente arrebatadoras, e acabou por se aventurar com um amigo numa outra aventura, Antimatter. Aí, o seu culto solidificou-se, e quando abandonou a banda, e finalmente deu à luz estes Íon, o seu projecto mais pessoal de sempre, não houve nenhuma surpresa na beleza que o disco de estreia emanava...

"Beyond The Morning" é a última música do disco "Madre, Protégenos", e é o encerrar perfeito. Folk puro, beleza refrescante, uma guitarra deambulante, um piano subtil, e uma voz feminina arrepiante... uma melodia de uma beleza rara, a fragilidade das emoções rasgando cada recanto do nosso ser. O que estes quase 3 minutos nos dão é uma viagem pelas emoções mais puras da nossa alma (Íon é a palavra gaélica para pureza), como uma salvação, como a luz no fim do túnel, não enquanto promessa mas enquanto certeza. É o descanso do guerreiro, a aceitação final e definitiva do nosso ser. Uma música capaz de nos salvar, capaz de nos beijar a alma... uma música rara...

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(desisti de procurar no You Tube, a partir de hoje vou passar a usar o Mega Upload ou o Rapid Share para poderem sacar as músicas de que aqui falo, abram as vossas mentes, os vossos corações, as vossas almas... descobriram novos mundos de uma beleza arrepiante. promessa)

Jarboe & Phil Anselmo - Overthrown

Meter já os pontos nos is. Jarboe é a antiga vocalista dos Swans, Phil Anselmo antigo vocalista de Pantera, actualmente nos Down.

Esta música encontra-se no ultimo disco de Jarboe, Mahakali, mas com a excepção de algumas notas de fundo, algumas ambiências, que dão um toque sublime à música, a voz que preenche esta música é a de Phil Anselmo. O acompanhamento é deixado ao mínimo, uma guitarra acústica a encher o som, mas sem nunca exagerar, deixando respirar o silêncio, a voz de Jarboe, reproduzindo isoladamente o som majestoso dum coro, e um ocasional violoncelo a dar profundidade ao todo, aproveitando uma fugaz percussão residual de bombo... Toda a música assenta em diversas camadas da voz de Phil Anselmo. Quando se tem o melhor, a decisão mais inteligente é deixar tudo nas mãos do melhor. E Phil Anselmo, como sempre, atira-se à tarefa sem medos, sem complexos, explanando todo o seu poderio vocal, todos os seus registos tecnicamente irrepreensíveis, todo o talento e toda a classe por demais comprovada ao longo dos anos. Nesta música reduzida ao mais elementar, ao mais puro que poderá existir, mestres na arte musical demonstram da melhor forma que acima de toda e qualquer coisa que se pense ou analise, na música apenas uma coisa tem importância, a música em si, a canção em si, e não interessam nomes, não interessam egos, não interessam técnicas. A melhor técnica, a melhor arte é reduzir tudo ao mais elementar, limpar todas as coisas supérfulas e fazer arte com o que se tem, indo ao mais puro da emoção... excelente música, excelente lição. Aqui a música respira, e é tão bom ser bafejado por uma canção assim...

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Antony and the Johnsons - Dust And Water

Ninguem sabe ao certo como nasceu a música. Mas uma coisa é quase certa: terá nascido com a voz humana. A voz humana é dos instrumentos mais ricos que existem, bem treinada tem uma amplitude de oitavas que poucos instrumentos podem igualar, e o seu timbre varia de pessoa para pessoa, tornando-se um instrumento bastante mais pessoal, que consegue uma identificação muito mais imediata, daí muitas vezes, na música pop principalmente, a voz ser o único foco de interesse de quem ouve uma música, algo totalmente errado.

isto para falar duma música que acabei de ouvir. "Water and Dust". Primeiro ponto, nesta música a voz comete um erro fulcral tecnicamente, a dicção. Mas esse erro consegue ter um encanto encantatório (passe a redundância), e não conseguimos deixar de nos embrenhar na bela melodia, suave e etérea, e acompanhar o esvoaçar da voz por cima de um sampler de voz. Por momentos há resquícios de uma memória de África, como se de um espiritual negro se tratasse, criando uma paisagem vazia e imensa, que nos esmaga com a sua promessa silenciosa de uma qualquer divindade escondida algures...
A Música é a voz de Deus? É! E esta música prova-o, numa música acente única e exclusivamente na voz humana.

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(Infelizmente, como o álbum é recente, ainda não há nada no You Tube alem de duas singelas aparições ao vivo, ambas miseráveis, mas acreditem que no disco, a música é bastante melhor! talvez devesse disponibilizar a música para download... Não sei.... se pedirem muito faço-o :D)

Carpathian Forest - Journey Through The Cold Moors Of Svarttjern


Um dos adjectivos mais caros ao black metal é "gélido". E poucas canções conseguem ser tão gélidas quanto esta Journey Through The Cold Moors Of Svarttjern. Com uma produção, como se quer no estilo, caseira, quase amadora, o que os Carpathian Forest fazem nesta música, é uma viagem hipnotizante pelo gelo dos mais profundos abismos da natureza humana. Uma guitarra acústica numa cadência quase pop, ou folk, e um teclado que grita um riff repetitivo, quase encantatório, como se fosse um coro numa qualquer catedral gélida e escura, perdida numa montanha, perdida na eira de uma floresta negra. E como transpôs tal beleza? Com uma guitarra eléctrica, distorcida, fria e gelada, a acompanhar o teclado, e uma voz rasgada que aumenta ainda mais o encantamento, levando o todo a um qualquer estado sublime de encantamento.

Talvez não para todos os ouvidos, tais abismos não são confortáveis a todas as almas, mas ao deleitar-mo-nos com a bela melodia emanada nesta música pelos Carpathian Forest, uma certeza nos atinge. Há momentos em que a Música consegue ser sublime. Como este.

John Mayall - Jenny

De todas as formas musicais existentes, poucas conseguem ser tão influentes quanto o blues. Apesar de o blues puro ser algo a que nem toda a gente tem acesso, a verdade é que a sua disseminação pela música popular do séc. XX foi de tal forma brutal, que não é grande exagero dizer que toda a música do séc. XX tem a sua base nessa forma artística nascida nos campos de algodão do Sul dos Estados Unidos da América. Embora os seus pais fundadores tenham morrido na miséria e sejam nomes ainda hoje desconhecidos do grande público, a sua influência atingiu proporções planetárias, e não há um único nome dos grandes artistas que não preste vassalagem a esse género.

John Mayall não é o exemplo mais brilhante deste universo riquíssimo, mas como a música é feita de momentos, de canções por vezes isoladas, de inspirações repentinas, ou como alguns dizem, divinas, nunca é demais relembrar uma grande canção como é "Jenny".

Num ritmo compassado, dolente até, somos embalados por uma voz suave, de tonalidades quentes, enquanto duas guitarras dialogam, uma a marcar o ritmo, acompanhando a harmonia da voz, a outra colocando pequenos apontamentos subtis, quase imperceptíveis, enchendo o som, cobrindo-o de uma vibração veraneante. Apetece sentarmos-nos na cadeira mais confortável, acender um cigarro, apagar as luzes, fechar os olhos e imaginar um pôr do Sol, enquanto o mar sereno nos molha os pés... Uma música belíssima, a descobrir.

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Virgin Black - Museum of Iscariot I Stagnation II

Existem músicas que nos arrebatam logo na primeira audição. E há músicas ainda mais raras que nos continuam a arrebatar por mais que as ouçamos. Esta é uma delas... Quando a música arranca, com uma guitarra acústica a dedilhar as cordas de um modo suave e gentil, e a voz nos arrebata com a sua beleza transcendental, nós temos a certeza que o que nos espera é uma viagem bela. Mas há medida que a canção evolui, essa primeira ideia é completamente dilacerada, não, esta música não é bela, é algo superior a isso, é emoção à flor da pele, é aquele solo que nos leva ao céu, é a voz que nos embala antes de nos fazer pular o coração num crescendo que passa algures por um ritmo que nos faz dançar, abanar a cabeça, antes de suspender por momentos a nossa atenção num teclado que apenas abre o caminho para um outro solo que nos pega na mente e nos faz pairar por paisagens cheias de luz... Antes do seu final... Antes da certeza que esta música terá grande rotação na nossa vida, e muito antes da certeza, que muitos anos depois dessa primeira audição, ela ainda nos faz sentir exactamente o mesmo...

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Iota - Opiate Blues

Acabei de descobrir uma banda fantástica!! Iota.
O seu som há primeira vista não nos oferece nada de tremendamente original, um stoner metal que bebe bastante da mistura de guitarras distorcidas com o feeling quente, poeirento e desértico da melhor tradição blues americana. Mas ao chegarmos á ultima música do seu disco (Tales), essa mistura é levada ainda mais além, criando um monstro do stoner metal. Opiate Blues. Imaginem uns Down arrastados, hipnóticos, com um baixo poderoso na melhor tradição do blues, e uma guitarra a solar com o ar pesado duma planície queimada pelo Sol como mentor... Agora misturem-lhe uma harmónica a solar como mandam as regras do melhor blues... Isto tudo sem querer ser saudosista, sem querer emular a tradição americana mais pura. Antes sim, pegar num legado riquíssimo, transpor para a actualidade e ir ao cerne das emoções encerradas nessas tradições. Uma viagem espiritual guiada pela Música. Brilhante!

Comprem o disco e não se arrependerão.

Guns N' Roses - This I Love

A boa música é eterna? É comum dizer-se que sim, a boa música é eterna, mas essa frase apenas é usada quando se fala de músicas que a determinado momento foram populares e conseguem o condão de se manterem populares e frescas através dos anos. Mas... E quando a música é recente, mas o seu tempo já passou? É altura de se tirarem as dúvidas se a boa música é realmente eterna.
Há toda uma nova geração de adolescentes e jovens a quem o nome Guns N' Roses nada diz. Se esses jovens seguirem a imprensa especializada devem estranhar bastante o furacão que há pouco mais de uma semana tem invadido o mundo. Sim... Finalmente, saiu o novo disco dos Guns N' Roses! O disco mais caro de sempre, 15 anos de gravações, entradas e saídas da banda a um ritmo tal que a determinada altura já ninguém ligava, os Guns tinham acabado, dissesse o que dissesse o sr. Axl Rose, ninguém acreditava que o disco saísse. Mas saiu, e surpresa! Não é uma merda pegada. Terá ainda o seu tempo? A questão pode ser respondida com a música "This I Love". Esta música tem tudo para recolocar os Guns N' Roses novamente no trono que em tempos foi deles, a maior banda do mundo, aquela que provavelmente mais créditos tem para pedir para si o título de melhor banda rock de todos os tempos.

Não, não é uma música rock clássica, é antes sim uma balada, um piano esvoaçante, uma melodia bela, melancolia com aquele travo a pop rock que tanta falta faz nos nossos dias. Uma voz que nos embala antes de nos pegar e nos mostrar paisagens celestiais, acompanhadas a violino, antes de nos rasgar a alma com aquilo que é a essência mais pura do rock: um solo de guitarra eléctrica que nos faz estremecer todas as células do corpo, num arrepio, num abraço, numa voz eléctrica que nos embala os sentidos...
A ouvir, reouvir e saborear de olhos fechados. Eles estão de volta, e bem falta faziam...

Sex Pistols

Biografia

Precursores de um estilo que havia de mudar a história da cultura rock e pop, os Sex Pistols, apesar do seu efémero tempo de existência, transformaram de forma radical a forma de estar na música.
Formados oficialmente em 1975 por Paul Cook (bateria) e Steve Jones (guitarra), os Pistols são hoje considerados os verdadeiros símbolos do punk. Cook e Jones, frequentadores habituais da loja de Malcolm McLaren, acabaram por reunir-se a Glen Matlock (baixo), que lá trabalhava. John Lydon, que mais tarde adoptou o nome Johnny Rotten, juntou-se à banda depois de um pedido expresso dos restantes elementos, que ficaram satisfeitos com o teste de voz a cantar por cima de "Eighteen" de Alice Cooper.
Após a realização dos primeiros espectáculos, os Pistols lançam "Anarchy In the UK", o primeiro single, com o selo da EMI, em Novembro de 1976. No início de 1977, e depois de várias polémicas, a EMI rescinde o contrato com a banda. Semanas depois, Sid Vicious substituiu Glen Matlock no baixo, ainda antes da edição de um novo single, "God Save the Queen". "Never Mind the Bollocks", o primeiro e único álbum de originais dos Pistols, chegou às lojas em Outubro de 1977.
Os conflitos dentro da banda eram, por esta altura, algo constante e recorrente.Sid Vicious mantinha hábitos cada vez mais profundos de consumo de drogas, ao mesmo tempo que as divergências entre o baixista e Rotten com Jones e Cook subiam de tom. No final de 1977 os Pistols partem em tournée para os Estados Unidos. Depois de alguns concertos, a 15 de Janeiro de 1978, John Lydon abandonou oficialmente o colectivo. Cerca de um ano depois, em Fevereiro de 1979, Sid Vicious morreu vítima de overdose, em Nova Iorque.
Em 1996, perto de duas décadas depois do seu fim oficial, os Sex Pistols voltaram a juntar-se, uma vez mais com Glen Matlock no baixo, para a "Filthy Lucre Tour", uma digressão cujos objectivos primeiros estavam explícitos na sua denominação. Sete anos depois, no Verão de 2003, os Pistols voltaram a realizar novos concertos, desta vez somente nos Estados Unidos.

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