Virgin Black - Lacrimosa (Gather Me)
Há bandas que quando começam, têm um poder e peso apenas possível a adolescentes ainda com todo o fulgor da juventude. Depois com o tempo e a maturação, com o desejo de experimentar e variar, com a evolução natural de quem não quer ficar parado no mesmo sítio, acabam por mudar o som, geralmente para algo mais calmo.
Os Virgin Black fizeram exactamente o oposto! Quando começaram eram um banda que misturava música clássica, com gótico, doom, e alguns laivos de black metal ou música electrónica, mas nunca foram uma banda muito pesada. Até que...
Em 2008, inserido numa trilogia (que já lá vão 5 anos, sem nunca se ter visto a luz à primeira parte), sai para os escaparates "Requiem - Fortíssimo". A terceira parte de uma trilogia, que supostamente deveria ser ouvida em simultâneo. E nesta ultima parte, os Virgin Black fizeram um disco denso, cheio de distorção e vozes cavernosas. E esta Lacrimosa... esta Lacrimosa possui um peso e ao mesmo tempo uma beleza apenas disponível a bandas de eleição.
Ansiando desesperadamente, já há 5 anos, a primeira parte desta missa funerária. A parte que teoricamente deveria ser toda tocada por uma orquestra e coros.
Triptykon - My Pain
Confesso que só hoje ouvi este disco. Ainda não com muita atenção, uma singela audição com repetição de algumas faixas. Mas assim de repente, ainda sem ter crescido o suficiente dentro de mim, esta é a faixa que mais me despertou a atenção.
Muito mais calma que o resto do disco, pelo menos, sem distorção, e salvo erro, sem a voz desse monstro que é Tom G. Warrior, "My Pain" destaca-se no disco. E destaca-se muito bem. Um lick hipnótico programado, que se repete ao longo de toda a faixa, e vozes de fundo a dar uma ambiência que convida ao sonho e divagação. Quando entra a voz feminina, somos de repente elevados e enlevados por uma misteriosa sensação de conforto tépido, que deambula nos nossos sentidos, fazendo-nos desfrutar de toda a beleza do ambiente criado. Véus sonoros que nos embalam a mente. E como se tal sugestão sonora não fosse já por si suficiente, aquele ritmo da bateria que mais parece trip-hop, aquele lick que se repete e repete, e nos arrasta numa espiral de sensações acolhedoras, e aquela voz... Eis que perto do final somos mais uma vez encantados, desta vez por uma voz masculina, (que penso não ser Tom G. Warrior, mas que de repente até parece Phil Anselmo no disco de Jarboe), e aquela voz quente, grave, penetrante, entra no todo tépido e queima os nossos sentidos desprevenidos numa chama incandescente apenas com o poder reservado da sua voz.
Um exercicío brilhante, por um dos maiores compositores europeus. Provavelmente não será uma música com grande rodagem, mas será sempre interessante ouvir numa noite quente de Verão enquanto se fuma um cigarro ao ao livre, olhando as estrelas no céu. De preferência sem luzes citadinas a atrapalhar.
Jorge Palma - À Espera do fim
Gravado em apenas uma via, ou seja, um microfone, que grava voz e piano ao mesmo tempo, "Só" é um disco à parte na discografia de Jorge Palma, é o best of que afinal nem é bem um best of. É pegar nas canções de Palma, despi-las, deixa-las cruas, orgânicas, com a voz a sussurrar, com o sangue a jorrar nas veias sob a pele quente, com os dedos a criarem magia sobre o teclado... E criar um monstro da música nacional! Um dos melhores discos de sempre, um marco que para sempre será um expoente máximo da música nacional.
E no meio de todas aquelas maravilhas do disco, houve uma música que logo se destacou, destacou de tal forma, que mesmo depois na masterização se elevou um pouco o som, se lhe deu um toque extra na compressão, que num caso normal até seria um crime, mas neste caso específico até prefiro ver enquanto a constatação que sim, esta era mesmo a música que melhor ficou no disco.
No meio de uma carreira ímpar na música nacional. Um disco. No meio de um disco especial, único, brilhante. Uma canção. No meio de uma canção... A Humanidade! Brilhante? Não. Algo mais...
John Lennon - Working Class Hero
John Lennon. Considerado por muitos como o grande génio da música do sec.XX, este senhor foi autor de algumas das mais belas músicas do século passado, quer na banda que o deu a conhecer ao mundo (The Beatles), quer a solo, que quer se goste ou não de admitir isso, é onde se encontram as suas maiores pérolas. Não falando do supra popular "Imagine", quase que unânimemente considerada a música mais popular de todos os tempos, a sua obra a solo possui momentos capazes de arrepiar qualquer ser humano com um minimo de sensibilidade. E este exemplo que pretendo falar, não querendo afirmar que se trata da sua obra-prima, decerto que pouca gente poderá ficar chocada ao afirmar que aqui, John Lennon consegue com um poder de sucintividade so possivel aos grandes génios descrever na perfeição um momento na vida de cada um de nós, e levar esse sentimento para o mais amplo da questão social da sua época. Musicalmente a musica só não é pobre porque é duma beleza, intensividade e raiva notáveis. Deixando todo o ênfase na letra e na emotividade da voz, o músico da-nos uma música acustica de apenas um acorde, não perdendo tempo com acordes, harmonias e tudo o demais que poderia retirar o sentido daquilo que a música realmente representa: o medo, a raiva, o desespero, a incógnita do Futuro de um jovem, as suas causas, a hipocrisia da sociedade que cria estes individuos, largando-os numa selva disfarçada de civilização. Talvez nenhuma palavra consiga descrever isto tão bem como a própria letra, e é isso que aqui vou deixar para todos vós, num exercicio de tradução.
"Assim que nasces fazem-te sentir pequeno
Tirando-te Tempo, em vez de to darem todo.
Até a Dor ser tão grande que deixas de sentir.
Magoam-te em casa, e batem-te na escola,
Odeiam-te se és esperto e desprezam um burro,
Até ficares tão confuso que não consegues seguir as regras.
Torturam-te e assustam-te durante 20 estranhos anos,
E depois esperam que escolhas uma carreira
Quando não consegues funcionar e estás cheio de medo.
Mantêm-te anestesiado com religião, sexo e televisão,
E achas-te tão esperto, sem classe e livre.
Mas para mim não passam da merda duns saloios.
Ainda te dizem que podes chegar ao topo,
Mas primeiro tens que aprender a sorrir enquanto matas,
Se quiseres ser como os gajos da zona chique."
Aqui não meti o verso do refrão, a ideia era mesmo mostrar a genialidade em tão poucas palavras, daquele que é na opinião da maioria dos melómanos, considerado o maior génio da música pop do sec.XX. Percebam o porque, e esta é só uma das grandes músicas que este senhor deixou para a Eternidade, antes de ter sido assassinado a porta da sua mansão por um fã, que se sentiu traído ao ver que enquanto ele cantava a revolta dos "heróis da classe média" contra o poder estabelecido da hipocrisia, o próprio vivia no maior luxo que o dinheiro pode comprar (até os caixotes do lixo eram de ouro). Ironias do destino?
Theatre Of Tragedy - A Rose For The Dead
Há mais de uma década atrás, quando o metal europeu se começou a expandir sonoramente, deitou mãos do gótico, uma ideia musical já bastante antiga, cheia de floreados, cheia de uma estranha beleza escura. E as mulheres começaram a tomar conta dos microfones, todas com vozes etéreas, quentes, sensuais, para enlevar os ouvintes no doce abraço negro de belezas obscuras.
No inicio era a Liv. E se a Anneke dos The Gathering era e ainda é o grande nome das senhoras no metal melódico, a senhora Liv Cristine, era por aqueles tempos com os seus Theatre Of Tragedy, um nome incontornável. Pessoalmente, ainda continuo a preferir os Theatre daqueles tempos a todas as bandas que se seguiram, e a todas as bandas que já existiram de senhoras a cantar góthic metal. A Rose For The Dead consegue exemplificar muito bem porque.
Uma melodia fantástica, uma voz que nos enche o peito, o contraponto da voz masculina a grunhir, aquela guitarra que se passeia num lick denso, o teclado que qual sombra branca ilumina todo o conjunto... Uma das melhores musicas do género. A matriz que foi imitada e explorada ao ponto da caricatura, mas sem nunca atingir tal beleza, tal intensidade, tal negritude...
Rosa Negra - Fado Ladino
No meio da febre recente pelo novo fado, muita coisa fica de fora. Este disco foi editado cedo demais na minha opinião, ninguém lhe ligou nenhuma. Passados cinco anos, só se ouve fado nas rádios e nas televisões, parece que Portugal de repente acordou novamente para ele. mas como sempre nestes histerismos colectivos, muita coisa é atropelada, e esta canção mereceria muito mais do que o desconhecimento generalizado. Sim... Esta música tem algo de ilegal, muito de ilegal até. É um plágio descarado duma canção turca (salvo erro, já não me lembro bem de quem é o original, e também não fui procurar), mas para o que nos interessa, isso acaba por ser irrelevante. O que fica é uma melodia fenomenal, arranjos de um bom gosto tremendo, de uma beleza serpenteante, uma dança sonora de uma sensualidade quente, etérea... No fundo, aquilo que o fado tem de melhor, mas actualizado. Não por o "velho fado" ser obsoleto, a música quando é boa nunca é obsoleta, mas pegando em todas as ferramentas à disposição e criar algo superior. Ok... Não foi criar, foi copiar, roubar. Mas até ai é um fado perfeito, porque o fado também não é mais que uma reinvenção de musica oriental, árabe. E estes Rosa Negra fizeram um excelente trabalho nisso.
No meio de toda a nova vaga de fado, com ou sem plágio, esta é a mais bela reaproximação ao fado no séc. XXI.
Iced Earth - Dracula
No sempre constante desfilar de novas músicas que saem no mercado, por vezes sabe bem voltar atrás no tempo. A primeira vez que ouvi esta música, tinha menos dez anos em cima, a vida era outra. Mas a sensação que tive ao ouvir esta música, essa, mantém-se imútavel.
Esta música pode analisar-se em 4 partes. A música na introdução e a sua letra. E a segunda parte da música e a sua letra.
Na introdução é uma balada, e que bela balada. Um lick delicado na guitarra, uma voz quente e sussurrada, melódica. Uma beleza pop, no mais puro sentido da palavra. A letra... A letra é um belo poema de perda de amor. Ideal para qualquer pessoa com mal de amores.
"Do you believe in love?
Do you believe in destiny?
True love may come only once in a thousand lifetimes...
I too have loved...they took her from me,
I prayed for her soul....I prayed for her peace
When I close my eyes
I see her face, it comforts me
When I close my eyes
Memories cut like a knife"
Na segunda parte, uma música tipicamente heavy metal com um ritmo acelerado, riffs cortantes, solos melódicos, voz poderosa. E a letra enfim desvenda-se. É uma música sobre o mito de Drácula. pois esta música pertence a um disco temático, sobre personagens de ficção de horror.
E no meio? Bem... No meio é a explosão mais explosiva que se pode imaginar! Relembrem ou descubram!!!!
Diabolical Masquerade - Ravenclaw
Num estilo que procura ser o mais estremo possível, por vezes são editadas musicas com um sentido quase pop que são uma agradável surpresa. Servem apenas para nos mostrar que o black metal não é um estilo apenas de violência, extremismo e intensidade quase insuportável. É também um estilo de beleza, uma beleza quase pura, primordial. E esta "Ravenclaw" é um excelente exemplo disso. Bebendo bastante de Bathory, pega na tradição musical nórdica, e junta-lhe a intensidade do melhor metal extremo. Com uma melodia serpenteante, que cresce em intensidade, que rasga os nossos sentidos com uma simplicidade desconcertante. A música, seja ela de que estilo for, deveria ser assim. Bela e cativante.
Scott Amendola Band - Masters Of War (Bob Dylan cover)
Existem dezenas, talvez centenas, de grandes músicas que falam da guerra. No período áureo da música popular no séc. XX a guerra do Vietname estava no auge, e como tal toda a gente tinha algo a dizer. Mas no meio de todas essas músicas, no meio de tanto que se escreveu e cantou, entre tanta gente que em tantos momentos alguma vez quis dizer algo sobre a guerra, há uma canção que se destaca. Uma canção simples, com uma letra simples, que consegue atingir a verdade do que é a guerra. Não tivesse sido ela escrita pelo Profeta, um miúdo, que armado de uma guitarra e uma ingenuidade surpreendente, cantou a melhor música sobre a guerra que alguma vez alguém escreveu. Porque nessa singela letra estava toda a verdade do que é e para que servem as guerras. Falo claro está de Bob Dylan, e a sua fantástica e genial "Masters Of War". Se algo há a dizer da sua genialidade, basta propor-vos um desafio, ouvirem a musica, e prestarem atenção na letra. Incrivelmente actual, apesar de ter sido escrita há quase 50 anos. mas como disse, Dylan nessa música conseguiu atingir o cerne, o coração do que é a guerra.
Existem um sem número de versões dessa música. geralmente bastante fiéis ao original, apenas melhor interpretadas, como é apanágio de quem faz versões de Dylan. Mas a versão que vos trago, foge bastante do original. Antes desfaz a música e transforma o que é uma simples música folk, numa viagem hipnótica em tons de free-jazz. Uma bateria sincopada, que marca todo o ambiente da canção, uma voz feminina que deambula quase hesitantemente no inicio, e uma guitarra que entra sorrateira para encorpar a canção. Depois disso, a música cresce e cresce até ao delírio final, acompanhando a intensidade da letra, que cresce até à apoteose final.
Fazer versões de Dylan é um exercício que praticamente todos os nomes grandes da história da música fizeram. Falamos claro, daquele que é provavelmente o melhor compositor de sempre da música rock. Mas geralmente os artistas cingem-se á música, que por mais bela que seja acaba sempre por ser apenas o leito onde a letra se deita. Nesta versão, a Scott Amendola Band, pegou naquilo que é mais forte em Dylan, a letra, e fez a sua versão a partir dela. O resultado é avassalador.
Existem um sem número de versões dessa música. geralmente bastante fiéis ao original, apenas melhor interpretadas, como é apanágio de quem faz versões de Dylan. Mas a versão que vos trago, foge bastante do original. Antes desfaz a música e transforma o que é uma simples música folk, numa viagem hipnótica em tons de free-jazz. Uma bateria sincopada, que marca todo o ambiente da canção, uma voz feminina que deambula quase hesitantemente no inicio, e uma guitarra que entra sorrateira para encorpar a canção. Depois disso, a música cresce e cresce até ao delírio final, acompanhando a intensidade da letra, que cresce até à apoteose final.
Fazer versões de Dylan é um exercício que praticamente todos os nomes grandes da história da música fizeram. Falamos claro, daquele que é provavelmente o melhor compositor de sempre da música rock. Mas geralmente os artistas cingem-se á música, que por mais bela que seja acaba sempre por ser apenas o leito onde a letra se deita. Nesta versão, a Scott Amendola Band, pegou naquilo que é mais forte em Dylan, a letra, e fez a sua versão a partir dela. O resultado é avassalador.
My Dying Bride - For My Fallen Angel
Chover no molhado… não sei quantas vezes já eu falei desta música, nem sei quantas vezes até já escrevi desta música. Mas sei que esta é das melhores músicas jamais escritas por um ser humano. De tanto CD que gravo com músicas soltas, é certo e sabido, esta está na maioria dos CDs. No mp3 nunca de lá sai. Já ouvi esta música milhares e milhares de vezes, e de cada vez que a ouço, a minha espinha arrepiasse, os meus olhos cerram-se, o meu espírito enche-se, transborda de um sentimento estranho.
Não é apenas a sua beleza, nem é apenas a sua intensidade. Não, não é apenas isso. É algo mais, algo mais que esta música possui, que nos entra na alma, nos dilacera, mexe e remexe no mais íntimo dos nossos sentidos. Duma forma tão simples, tão pura, tão etérea, esta música toca num qualquer sentido obscuro, e deixa-nos a nu, despidos de todo o exterior, esmagados na mais pura essência que dela emana.
Um teclado, um violino, uma voz, e uma letra… Assim se faz uma das mais belas experiências que o ser humano pode sentir. Sentimento na sua mais pura forma. Beleza no seu expoente máximo…
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Não é apenas a sua beleza, nem é apenas a sua intensidade. Não, não é apenas isso. É algo mais, algo mais que esta música possui, que nos entra na alma, nos dilacera, mexe e remexe no mais íntimo dos nossos sentidos. Duma forma tão simples, tão pura, tão etérea, esta música toca num qualquer sentido obscuro, e deixa-nos a nu, despidos de todo o exterior, esmagados na mais pura essência que dela emana.
Um teclado, um violino, uma voz, e uma letra… Assim se faz uma das mais belas experiências que o ser humano pode sentir. Sentimento na sua mais pura forma. Beleza no seu expoente máximo…
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Jeff Buckley - Hallelujah
Antes de Leonard Cohen ter tido a sua voz “destruída” pelos inúmeros cigarros fumados, tinha uma voz suave e cândida. Mas quando compôs esta canção, já a sua voz tinha a densidade dos anos.
Anos depois, inúmeras interpretações depois, um jovem de voz cândida, suave e angelical interpretou essa canção e conseguiu diferenciar-se de todas as outras interpretações.
Reduzindo a canção quase ao mais básico, fez-se acompanhar de uma guitarra eléctrica deambulando por paisagens etéreas e colocou todo o ênfase na voz. Naquela voz pura, angelical, sussurrante, que agride de tão frágil e poderosa que é.
O que ficou foi uma interpretação memorável, porque a voz frágil e poderosa de Jeff Buckley é o veículo perfeito para as emoções encerradas nesta composição. Um misto de fragilidade e poder. Um fascínio hipnotizante por algo que queremos ser mais forte que nós, uma entrega incondicional, o sentir-se humilde e frágil e ao mesmo tempo protegido e forte. O render-se a uma esperança de salvação, com a consciência que podemos ser destruídos. Não, “Love is not a victory march”. Todos sabemos isso, todos sabemos que “It's a cold and it's a broken Hallelujah”, mas poucas vezes quanto nesta canção esta certeza é tão violentamente cravada na nossa alma.
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Anos depois, inúmeras interpretações depois, um jovem de voz cândida, suave e angelical interpretou essa canção e conseguiu diferenciar-se de todas as outras interpretações.
Reduzindo a canção quase ao mais básico, fez-se acompanhar de uma guitarra eléctrica deambulando por paisagens etéreas e colocou todo o ênfase na voz. Naquela voz pura, angelical, sussurrante, que agride de tão frágil e poderosa que é.
O que ficou foi uma interpretação memorável, porque a voz frágil e poderosa de Jeff Buckley é o veículo perfeito para as emoções encerradas nesta composição. Um misto de fragilidade e poder. Um fascínio hipnotizante por algo que queremos ser mais forte que nós, uma entrega incondicional, o sentir-se humilde e frágil e ao mesmo tempo protegido e forte. O render-se a uma esperança de salvação, com a consciência que podemos ser destruídos. Não, “Love is not a victory march”. Todos sabemos isso, todos sabemos que “It's a cold and it's a broken Hallelujah”, mas poucas vezes quanto nesta canção esta certeza é tão violentamente cravada na nossa alma.
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Celtic Frost - A Dying God Coming Into Human Flesh
Existem poucas bandas com o culto dos Celtic Frost. Também existem poucas bandas com a sua influencia, importância e qualidade. Oriundos do mais improvável dos países europeus (Suíça), nos anos '80, a sua forma de estar na Música revolucionou por completo o underground europeu, e formaram juntamente com os Bathory e os Venom as bases daquilo que mais tarde se veio a denominar black-metal, muito embora, o seu líder Tom G. Warrior já tenha confessado que detesta black-metal, a sua busca nunca foi uma qualquer ideia de extremismo sonoro, visual ou lírico, mas sim expandir a Arte musical além dos limites em que estava estrangulada, e para si o termo extremo tinha mais a ver com "alem do normal" que propriamente "fora do normal". Pormenores...
A dada altura os Celtic Frost separaram-se, e em 2006, aquando do seu regresso (antes de se separarem novamente o ano passado), o album "Monotheist" foi recebido com a curiosidade devida a quase duas décadas de ausência, duas décadas em que o seu culto cresceu na proporção em que as suas sementes lançadas também cresceram, ou seja, depois do nascimento, maturação e dispersão do black-metal. Na altura talvez ideal, no momento em que o black-metal já estava a se reencontrar com a filosofia original dos seus criadores, mais centrado na expansão de ideias que propriamente em se centrar na mesma ideia de extremismo que já estava a ficar saturada (ou não).
Faixa 3 do disco, A Dying God Coming Into Human Flesh. O seu início é fantasmagórico, calmo, assustador, uma voz que canta quase que murmurando numa cadencia que cresce, não duma forma audível, mas sente-se um crescendo, uma tensão, como uma ameaça prestes a explodir, mas uma ameaça inatingível, como que fora deste mundo, ou como diz a letra, um frio... Um frio que toma conta de tudo, um frio que se torna tudo... "And all is cold. And cold is all."...
E de repente... um acorde explode! E nessa altura já estamos embrenhados na música, no lick de guitarra que nos embala, no peso da guitarra que nos prende, no peso que nos esmaga, na voz que nos dilacera enquanto nos encanta... e quando a bateria começa a voar já perto do fim, e a voz nos repete "I am a dying God, coming into human flesh" não podemos deixar de pensar que esta talvez seja uma viagem assimétrica da jornada de Dante. Aqui não começamos no Inferno para chegar ao Paraíso, aqui começasse no Paraíso e caímos que nem anjos perdidos no fundo do Inferno. Pelo menos durante 5m39s...
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A dada altura os Celtic Frost separaram-se, e em 2006, aquando do seu regresso (antes de se separarem novamente o ano passado), o album "Monotheist" foi recebido com a curiosidade devida a quase duas décadas de ausência, duas décadas em que o seu culto cresceu na proporção em que as suas sementes lançadas também cresceram, ou seja, depois do nascimento, maturação e dispersão do black-metal. Na altura talvez ideal, no momento em que o black-metal já estava a se reencontrar com a filosofia original dos seus criadores, mais centrado na expansão de ideias que propriamente em se centrar na mesma ideia de extremismo que já estava a ficar saturada (ou não).
Faixa 3 do disco, A Dying God Coming Into Human Flesh. O seu início é fantasmagórico, calmo, assustador, uma voz que canta quase que murmurando numa cadencia que cresce, não duma forma audível, mas sente-se um crescendo, uma tensão, como uma ameaça prestes a explodir, mas uma ameaça inatingível, como que fora deste mundo, ou como diz a letra, um frio... Um frio que toma conta de tudo, um frio que se torna tudo... "And all is cold. And cold is all."...
E de repente... um acorde explode! E nessa altura já estamos embrenhados na música, no lick de guitarra que nos embala, no peso da guitarra que nos prende, no peso que nos esmaga, na voz que nos dilacera enquanto nos encanta... e quando a bateria começa a voar já perto do fim, e a voz nos repete "I am a dying God, coming into human flesh" não podemos deixar de pensar que esta talvez seja uma viagem assimétrica da jornada de Dante. Aqui não começamos no Inferno para chegar ao Paraíso, aqui começasse no Paraíso e caímos que nem anjos perdidos no fundo do Inferno. Pelo menos durante 5m39s...
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Kristin Hersh - Your Ghost
É comum encarar-se uma canção enquanto uma coisa "morta". Depois dela ser gravada, editada, geralmente é assim que ela fica para a posteridade. mas as canções são entidades vivas, que se vão mudando, alterando, construindo ao longo do tempo. Será que sempre bem? Há canções que ao fim de alguns anos a serem tocadas ao vivo são coisas completamente diferentes, mas por vezes nem demora muito tempo a mudarem, e pior, há canções que vivem tanto de um momento, um singelo momento irresistível de quando foram gravadas, que por vezes é complicado repetir a sua magia.
A música de que hoje quero falar não está em nenhum disco, a versão final é um dueto entre Kristin Hersh e Michael Stipe dos REM, a versão de que quero falar é a versão da demo, a versão gravada antes do disco.
É óbvio que o esqueleto é o mesmo, a música é a mesma. mas nesta versão, despida ao mais puro da sua essência musical, a música tem um encanto que na versão final não tem. A música está o mais simples possível, respira, consegue assim, despojada de artifícios (ou pelo menos, com o mínimo possível) atingir o âmago daquilo que pretende. Uma música de uma beleza simples, que consegue dizer tudo o que quer... E principalmente, consegue fazer-nos sentir a música!
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A música de que hoje quero falar não está em nenhum disco, a versão final é um dueto entre Kristin Hersh e Michael Stipe dos REM, a versão de que quero falar é a versão da demo, a versão gravada antes do disco.
É óbvio que o esqueleto é o mesmo, a música é a mesma. mas nesta versão, despida ao mais puro da sua essência musical, a música tem um encanto que na versão final não tem. A música está o mais simples possível, respira, consegue assim, despojada de artifícios (ou pelo menos, com o mínimo possível) atingir o âmago daquilo que pretende. Uma música de uma beleza simples, que consegue dizer tudo o que quer... E principalmente, consegue fazer-nos sentir a música!
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Current 93 - Sunset (The Death of Thumbelina)
já aqui falei de Current 93, mas não podia deixar de falar aqui também desta música, numa abordagem completamente diferente da anterior música que falei.
As premissas continuam as mesmas, simplicidade, voz e letras. mas em vez do ritmo quase industrial cheio de distorção, nesta música a ambiência é feita com uma guitarra acústica, dedilhada, repetindo ad eternum o mesmo riff, na melhor forma folk. O pormenor que aqui mais dá nas vistas, é um violino que se expressa, no final de cada frase, oferecendo ao todo uma aura elegante, misteriosa, quase mágica.
Uma música de uma beleza muito especial, ideal para ouvir nestes dias cinzentos, com o vento e a chuva a beijarem a janela.
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As premissas continuam as mesmas, simplicidade, voz e letras. mas em vez do ritmo quase industrial cheio de distorção, nesta música a ambiência é feita com uma guitarra acústica, dedilhada, repetindo ad eternum o mesmo riff, na melhor forma folk. O pormenor que aqui mais dá nas vistas, é um violino que se expressa, no final de cada frase, oferecendo ao todo uma aura elegante, misteriosa, quase mágica.
Uma música de uma beleza muito especial, ideal para ouvir nestes dias cinzentos, com o vento e a chuva a beijarem a janela.
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Current 93 - Black Ships Ate The Sky
A simplicidade é complicada. Mais até que fazer uma música cheia de acordes, com muitas notas, muitos ritmos complicados. Fazer uma música simples, directa, e principalmente, boa, é muito complicado.
David Tibet, um músico obscuro, prima por composições simples, baseadas principalmente na beleza intrínseca de certas harmonias, de certas melodias. E embora pessoalmente não conheça muita coisa do seu vasto reportório, o pouco que conheço é simplesmente divinal. E no meio desse pouco que conheço, há uma música que prima pela diferença. Simples, muito simples, um baixo e duas guitarras. sempre a mesma nota, sempre o mesmo acorde, sempre o mesmo ritmo, atacado sempre no tempo certo. Uma das guitarras deriva por paisagens sujas ao melhor estilo de rock alternativo e sujo, mas isso é irrelevante. A música é sempre aquele ritmo industrial, e a letra, a voz, numa pungente e pujante interpretação. Intenso, poderoso, hipnótico. Capaz de nos esmagar... Brilhante!!!
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David Tibet, um músico obscuro, prima por composições simples, baseadas principalmente na beleza intrínseca de certas harmonias, de certas melodias. E embora pessoalmente não conheça muita coisa do seu vasto reportório, o pouco que conheço é simplesmente divinal. E no meio desse pouco que conheço, há uma música que prima pela diferença. Simples, muito simples, um baixo e duas guitarras. sempre a mesma nota, sempre o mesmo acorde, sempre o mesmo ritmo, atacado sempre no tempo certo. Uma das guitarras deriva por paisagens sujas ao melhor estilo de rock alternativo e sujo, mas isso é irrelevante. A música é sempre aquele ritmo industrial, e a letra, a voz, numa pungente e pujante interpretação. Intenso, poderoso, hipnótico. Capaz de nos esmagar... Brilhante!!!
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Strapping Young Lad - Bring On The Young
Silêncio... Condição essencial para existir música. A música não passa duma dança entre o silêncio e o som, nas suas diferentes alturas e intensidades.
E é assim que começa esta música, silenciosamente, hesitantemente, uma guitarra tímida, arriscando umas notas, um baixo que entra aqui e ali e se deixa ficar, ecoando, prolongando o seu poder até ao limite do silêncio... E depois...
depois entra a voz, cantando, uma ténue melodia vocal, uma promessa, um murmúrio...
A dada altura entra a bateria, o som enche-se, há mais intensidade, a voz crispa-se, sem nunca perder a melodia, há aqui promessas de uma grande música... Uma guitarra distorcida, impõe um ritmo mais demolidor fugazmente... Sim.... A música promete... Há coros, há poder, há melodia, e há sempre a promessa de explosão, uma explosão hesitante....
E essa explosão acontece, mas nunca se deixa ficar, são momentos fugazes, entre-cortados por silêncios, uma viagem sufocante entre o silêncio e poder destrutivo do death metal...
A música versa sobre a guerra do Iraque, e que melhor banda sonora que esta? O medo, o silêncio, a tensão, com momentos fugazes de explosão, intensidade, violência...
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E é assim que começa esta música, silenciosamente, hesitantemente, uma guitarra tímida, arriscando umas notas, um baixo que entra aqui e ali e se deixa ficar, ecoando, prolongando o seu poder até ao limite do silêncio... E depois...
depois entra a voz, cantando, uma ténue melodia vocal, uma promessa, um murmúrio...
A dada altura entra a bateria, o som enche-se, há mais intensidade, a voz crispa-se, sem nunca perder a melodia, há aqui promessas de uma grande música... Uma guitarra distorcida, impõe um ritmo mais demolidor fugazmente... Sim.... A música promete... Há coros, há poder, há melodia, e há sempre a promessa de explosão, uma explosão hesitante....
E essa explosão acontece, mas nunca se deixa ficar, são momentos fugazes, entre-cortados por silêncios, uma viagem sufocante entre o silêncio e poder destrutivo do death metal...
A música versa sobre a guerra do Iraque, e que melhor banda sonora que esta? O medo, o silêncio, a tensão, com momentos fugazes de explosão, intensidade, violência...
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ìon - Beyond The Morning
Duncan Patterson é um dos melhores compositores de SEMPRE! A afirmação pode parecer exacerbada, mas conhecendo, mesmo superficialmente, a carreira deste irlandês, a afirmação só pode ser atestada sem margens para dúvidas.
Começando a sua carreira nos Anathema enquanto baixista, foi aí que Duncan começou a se aventurar na composição, e os seus primeiros passos foram mais do que promissores, e ao fim de poucos discos, já tinha em seu nome alguns clássicos, algumas músicas simplesmente arrebatadoras, e acabou por se aventurar com um amigo numa outra aventura, Antimatter. Aí, o seu culto solidificou-se, e quando abandonou a banda, e finalmente deu à luz estes Íon, o seu projecto mais pessoal de sempre, não houve nenhuma surpresa na beleza que o disco de estreia emanava...
"Beyond The Morning" é a última música do disco "Madre, Protégenos", e é o encerrar perfeito. Folk puro, beleza refrescante, uma guitarra deambulante, um piano subtil, e uma voz feminina arrepiante... uma melodia de uma beleza rara, a fragilidade das emoções rasgando cada recanto do nosso ser. O que estes quase 3 minutos nos dão é uma viagem pelas emoções mais puras da nossa alma (Íon é a palavra gaélica para pureza), como uma salvação, como a luz no fim do túnel, não enquanto promessa mas enquanto certeza. É o descanso do guerreiro, a aceitação final e definitiva do nosso ser. Uma música capaz de nos salvar, capaz de nos beijar a alma... uma música rara...
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(desisti de procurar no You Tube, a partir de hoje vou passar a usar o Mega Upload ou o Rapid Share para poderem sacar as músicas de que aqui falo, abram as vossas mentes, os vossos corações, as vossas almas... descobriram novos mundos de uma beleza arrepiante. promessa)
Começando a sua carreira nos Anathema enquanto baixista, foi aí que Duncan começou a se aventurar na composição, e os seus primeiros passos foram mais do que promissores, e ao fim de poucos discos, já tinha em seu nome alguns clássicos, algumas músicas simplesmente arrebatadoras, e acabou por se aventurar com um amigo numa outra aventura, Antimatter. Aí, o seu culto solidificou-se, e quando abandonou a banda, e finalmente deu à luz estes Íon, o seu projecto mais pessoal de sempre, não houve nenhuma surpresa na beleza que o disco de estreia emanava...
"Beyond The Morning" é a última música do disco "Madre, Protégenos", e é o encerrar perfeito. Folk puro, beleza refrescante, uma guitarra deambulante, um piano subtil, e uma voz feminina arrepiante... uma melodia de uma beleza rara, a fragilidade das emoções rasgando cada recanto do nosso ser. O que estes quase 3 minutos nos dão é uma viagem pelas emoções mais puras da nossa alma (Íon é a palavra gaélica para pureza), como uma salvação, como a luz no fim do túnel, não enquanto promessa mas enquanto certeza. É o descanso do guerreiro, a aceitação final e definitiva do nosso ser. Uma música capaz de nos salvar, capaz de nos beijar a alma... uma música rara...
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(desisti de procurar no You Tube, a partir de hoje vou passar a usar o Mega Upload ou o Rapid Share para poderem sacar as músicas de que aqui falo, abram as vossas mentes, os vossos corações, as vossas almas... descobriram novos mundos de uma beleza arrepiante. promessa)
Jarboe & Phil Anselmo - Overthrown
Meter já os pontos nos is. Jarboe é a antiga vocalista dos Swans, Phil Anselmo antigo vocalista de Pantera, actualmente nos Down.
Esta música encontra-se no ultimo disco de Jarboe, Mahakali, mas com a excepção de algumas notas de fundo, algumas ambiências, que dão um toque sublime à música, a voz que preenche esta música é a de Phil Anselmo. O acompanhamento é deixado ao mínimo, uma guitarra acústica a encher o som, mas sem nunca exagerar, deixando respirar o silêncio, a voz de Jarboe, reproduzindo isoladamente o som majestoso dum coro, e um ocasional violoncelo a dar profundidade ao todo, aproveitando uma fugaz percussão residual de bombo... Toda a música assenta em diversas camadas da voz de Phil Anselmo. Quando se tem o melhor, a decisão mais inteligente é deixar tudo nas mãos do melhor. E Phil Anselmo, como sempre, atira-se à tarefa sem medos, sem complexos, explanando todo o seu poderio vocal, todos os seus registos tecnicamente irrepreensíveis, todo o talento e toda a classe por demais comprovada ao longo dos anos. Nesta música reduzida ao mais elementar, ao mais puro que poderá existir, mestres na arte musical demonstram da melhor forma que acima de toda e qualquer coisa que se pense ou analise, na música apenas uma coisa tem importância, a música em si, a canção em si, e não interessam nomes, não interessam egos, não interessam técnicas. A melhor técnica, a melhor arte é reduzir tudo ao mais elementar, limpar todas as coisas supérfulas e fazer arte com o que se tem, indo ao mais puro da emoção... excelente música, excelente lição. Aqui a música respira, e é tão bom ser bafejado por uma canção assim...
You Tube
Esta música encontra-se no ultimo disco de Jarboe, Mahakali, mas com a excepção de algumas notas de fundo, algumas ambiências, que dão um toque sublime à música, a voz que preenche esta música é a de Phil Anselmo. O acompanhamento é deixado ao mínimo, uma guitarra acústica a encher o som, mas sem nunca exagerar, deixando respirar o silêncio, a voz de Jarboe, reproduzindo isoladamente o som majestoso dum coro, e um ocasional violoncelo a dar profundidade ao todo, aproveitando uma fugaz percussão residual de bombo... Toda a música assenta em diversas camadas da voz de Phil Anselmo. Quando se tem o melhor, a decisão mais inteligente é deixar tudo nas mãos do melhor. E Phil Anselmo, como sempre, atira-se à tarefa sem medos, sem complexos, explanando todo o seu poderio vocal, todos os seus registos tecnicamente irrepreensíveis, todo o talento e toda a classe por demais comprovada ao longo dos anos. Nesta música reduzida ao mais elementar, ao mais puro que poderá existir, mestres na arte musical demonstram da melhor forma que acima de toda e qualquer coisa que se pense ou analise, na música apenas uma coisa tem importância, a música em si, a canção em si, e não interessam nomes, não interessam egos, não interessam técnicas. A melhor técnica, a melhor arte é reduzir tudo ao mais elementar, limpar todas as coisas supérfulas e fazer arte com o que se tem, indo ao mais puro da emoção... excelente música, excelente lição. Aqui a música respira, e é tão bom ser bafejado por uma canção assim...
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Antony and the Johnsons - Dust And Water
Ninguem sabe ao certo como nasceu a música. Mas uma coisa é quase certa: terá nascido com a voz humana. A voz humana é dos instrumentos mais ricos que existem, bem treinada tem uma amplitude de oitavas que poucos instrumentos podem igualar, e o seu timbre varia de pessoa para pessoa, tornando-se um instrumento bastante mais pessoal, que consegue uma identificação muito mais imediata, daí muitas vezes, na música pop principalmente, a voz ser o único foco de interesse de quem ouve uma música, algo totalmente errado.
isto para falar duma música que acabei de ouvir. "Water and Dust". Primeiro ponto, nesta música a voz comete um erro fulcral tecnicamente, a dicção. Mas esse erro consegue ter um encanto encantatório (passe a redundância), e não conseguimos deixar de nos embrenhar na bela melodia, suave e etérea, e acompanhar o esvoaçar da voz por cima de um sampler de voz. Por momentos há resquícios de uma memória de África, como se de um espiritual negro se tratasse, criando uma paisagem vazia e imensa, que nos esmaga com a sua promessa silenciosa de uma qualquer divindade escondida algures...
A Música é a voz de Deus? É! E esta música prova-o, numa música acente única e exclusivamente na voz humana.
You Tube
(Infelizmente, como o álbum é recente, ainda não há nada no You Tube alem de duas singelas aparições ao vivo, ambas miseráveis, mas acreditem que no disco, a música é bastante melhor! talvez devesse disponibilizar a música para download... Não sei.... se pedirem muito faço-o :D)
isto para falar duma música que acabei de ouvir. "Water and Dust". Primeiro ponto, nesta música a voz comete um erro fulcral tecnicamente, a dicção. Mas esse erro consegue ter um encanto encantatório (passe a redundância), e não conseguimos deixar de nos embrenhar na bela melodia, suave e etérea, e acompanhar o esvoaçar da voz por cima de um sampler de voz. Por momentos há resquícios de uma memória de África, como se de um espiritual negro se tratasse, criando uma paisagem vazia e imensa, que nos esmaga com a sua promessa silenciosa de uma qualquer divindade escondida algures...
A Música é a voz de Deus? É! E esta música prova-o, numa música acente única e exclusivamente na voz humana.
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(Infelizmente, como o álbum é recente, ainda não há nada no You Tube alem de duas singelas aparições ao vivo, ambas miseráveis, mas acreditem que no disco, a música é bastante melhor! talvez devesse disponibilizar a música para download... Não sei.... se pedirem muito faço-o :D)
Carpathian Forest - Journey Through The Cold Moors Of Svarttjern
Um dos adjectivos mais caros ao black metal é "gélido". E poucas canções conseguem ser tão gélidas quanto esta Journey Through The Cold Moors Of Svarttjern. Com uma produção, como se quer no estilo, caseira, quase amadora, o que os Carpathian Forest fazem nesta música, é uma viagem hipnotizante pelo gelo dos mais profundos abismos da natureza humana. Uma guitarra acústica numa cadência quase pop, ou folk, e um teclado que grita um riff repetitivo, quase encantatório, como se fosse um coro numa qualquer catedral gélida e escura, perdida numa montanha, perdida na eira de uma floresta negra. E como transpôs tal beleza? Com uma guitarra eléctrica, distorcida, fria e gelada, a acompanhar o teclado, e uma voz rasgada que aumenta ainda mais o encantamento, levando o todo a um qualquer estado sublime de encantamento.
Talvez não para todos os ouvidos, tais abismos não são confortáveis a todas as almas, mas ao deleitar-mo-nos com a bela melodia emanada nesta música pelos Carpathian Forest, uma certeza nos atinge. Há momentos em que a Música consegue ser sublime. Como este.
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