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F.O.D. - Acona Batata




Talvez seja melhor começar por explicar a história desta música.
Esta musica não tem história. É apenas um simples exercício, um treino, levado a cargo por um produtor de nome Daniel Cardoso, aquando da inauguração do seu estúdio UltraSound Studios. De modo a expandir a sua técnica enquanto produtor, resolve misturar o imisturável: musicais da Disney com death-metal. Cria uma banda fictícia, e brinca um bocadinho com os seus instrumentos, convida alguns amigos, e sem mais nada que não apenas a inspiração, experimentação e improviso... Cria uma pequena-grande obra-prima.

Tudo começa duma forma bastante plácida: uns teclados bonitos, uma voz suave, algo muito familiar, muito... Disney, podendo ser cantarolado por petizes e graúdos. E de repente... Um riff demolidor, pesado, avassalador, acompanhado por uma voz grunhida, imprópria para consumo por mentes inocentes ávidas pelo entretenimento inócuo do universo Disney. O resto da música continua sempre nestes dois extremos, mas de uma forma brilhante, musical, melódica, pesada, extrema e com muito bom gosto (excepto no humor desenfreado da parte final da música, mas não nos podemos esquecer que isto é uma brincadeira de jovens imberbes ou pouco mais que isso).

Se esta música foi um teste ás capacidades de Daniel Cardoso, não admira que de lá para cá, o seu estúdio se tenha tornado um dos mais requisitados em Portugal, que tenha produzido já inúmeros nomes de um estatuto lendário, e que inclusivamente neste momento seja o baterista dos monstros sagrados Anathema. É que quando o talento é realmente genuíno, ele nota-se em tudo, até em pequenas brincadeiras de estúdio, que nunca seria suposto sair de uma gaveta.

Aleah - Breathe



Por vezes há pequenos tesouros escondidos no meio de uma imensidão de ruído. Nunca tinha ouvido sequer falar de Aleah, e uma rápida e fugaz consulta através do You Tube deu-me a descobrir algo que está muito perto do maravilhoso. O único senão é que as músicas acabam por ser demasiado semelhantes entre si, mas isso pode até ser positivo no disco, pode até ser que o disco funcione como um disco deve funcionar, como uma viagem constante e hipnótica. A ver... Mas assim de repente, uma voz e um som sedutor.

Nine Inch Nails - Hurt



Esta é uma canção, e uma versão muito peculiar, para não dizer única.
Aqui, temos o autor de uma música, a ter que competir com uma versão magnifica, popularizada por um outro interprete. A quem pertence afinal a canção? A Trent Reznor, que é afinal o seu autor, ou a Johnny Cash, que a fez sua com uma interpretação avassaladora? Esta versão, tira todas as dúvidas, e é o exemplo-mor de uma verdade universal, tantas vezes esquecida: uma canção não pertence a ninguém em particular, é uma entidade viva, sentida e interpretada à sua maneira por quem quer que seja, autor, interprete, ou mero ouvinte.
Uma canção magnifica, e isso é o que é mais importante. Duas leituras magníficas, intensas, esmagadoras. E para quem acredita que a versão do Cash é imbatível... Confessem... O autor consegue fazer-vos hesitar nessa afirmação, ou não?

The Doors - She Smells So Nice

Não é excitante quando uma banda antiga, que já faz parte da história, divulga assim vindo do nada uma nova música, que andou perdida anos e anos em fitas perdidas sabe deus aonde? Pois desta vez, calhou aos Doors, divulgarem uma música já com 40 anos, perdidas nas fitas originais das gravações do disco L.A. Woman. E o que se poderá dizer desta nova canção agora divulgada? Bem... Pouco se poderá dizer, não é que vá fazer alguma diferença no mito dos Doors e de Jim Morrison, esse está alicerçado já há bastantes décadas, e não é esta música que o irá aumentar e diminuir. Apenas poderemos dizer que é uma faixa que se ouve bastante bem, com um ritmo groovy, não tão bluesy como outras músicas do mesmo disco, nem psicadélica como outras, uma singela canção, interessante de se ouvir, mas que qualquer fã hardcore dos Doors pode passar bem sem ouvir. Apenas pela curiosidade.


Ala dos Namorados - Loucos de Lisboa

Uma canção, ao contrário de uma música, precisa de uma letra. E para uma audiência massificada, a letra é mais importante que a música, porque a maioria das pessoas nem sequer sabem música para a poderem apreciar. Embora, como é óbvio, a música para ser sentida não necessita de ser entendida. Mas a letra é uma parte muitíssimo importante de uma canção, isso é inegável. E geralmente as músicas mais populares, têm sempre letras que dizem algo ao ouvinte, algo por vezes de tão profundo e emocional, que só mesmo uma canção, cantarolável, pode passar essa emoção, de outra forma inacessível por palavras sem o vínculo emocional da melodia.
É o caso desta Loucos de Lisboa dos Ala dos Namorados. Esta canção tem algo de nostálgico, algo de poético até. Quem nunca conheceu um louco, que se arrasta por anos nas mesas de um café? Aquelas personagens que fazem parte de uma cidade, conhecidas por toda a gente, com uma presença que dá colorido e pitoresco à vida quotidiana? Todos os conhecem. E ao ouvir esta canção, dá vontade de lhes passar um cigarro para os dedos, pagar-lhes uma bica, e ficar a ouvir histórias que dariam para um livro…. Ou melhor…. Uma canção pop cantarolável…


Thragedium - The Flame of Draconis

Há bandas que se perdem cedo demais. Quando aparecem, o seu choque e poder é de tal forma avassalador, que a promessa de um futuro gigantesco talvez seja demasiada pressão.
Quando em 2001, um ex-guitarrista de Desire, lança o disco de estreia da sua nova banda, Thragedium, a sua mistura de doom metal com música tradicional portuguesa é uma pedrada num charco que ameaça tornar-se um oceano. Porque não basta utilizar uma guitarra portuguesa ou um cavaquinho, é fazer música brilhante com elementos novos, que adicionam algo muito maior à sua música. É a certeza que com tal registo, com tais músicas, com tal talento, um novo caminho está aberto de par em par para se trilhar, cheio de promessas de novos grandes discos, novas grandes canções…
Infelizmente, tal oceano vazou logo depois do disco seguinte, a banda separou-se, e a única coisa boa que daí adveio, foi mesmo estes dois registos que ficaram… Para matar saudades de vez em quando…



Descendants Of Cain - This House (feat. Wayne Hussey)

Aquando da primeira audição do disco, esta não foi a música que mais me despertou a atenção. Mas com o passar do tempo, a sua melodia ficou-me cravada na mente, pegajosa, mas com uma suavidade tremenda. Sinal inequívoco de que é uma música viciante. E quando as músicas se pegam na mente, como lapas, é só por duas razões: ou por serem muito más, ou por serem muito boas.
Neste caso específico, tenho a certeza que é pela segunda razão. Atentem no refrão, esta dança das teclas com as cordas, esta voz que se faz vento e nos embrenha com um poder avassalador. Não se sentem em casa? Naquela casa que eles construíram, em que as paredes são ambição… se todas as músicas pegajosas fossem assim…

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